De passagem

Os passageiros do ônibus,
de tantas vidas,
tantos entrecruzamentos.
Criamos um comunidade asfáltica
singular, na qual somos conhecidos
de menor grau, apenas relevantes
entre uma parada e outra.
Um café e outro, uma dose de conversa,
uma confissão abrupta e silenciosa,
ou o estalar de um beijo de lábios
que se pertencem, pelo menos,
até a próxima rodoviária.
Somos levados pela estrada,
um caminho literal escolhido
por nós mesmos e então, depois
de tudo, nos separamos, talvez pra
sempre, talvez até a próxima viagem
planejada incansavelmente
em que de um ponto a outro
todos fazem parte de uma comunidade
pequena, móvel e eterna.

Deixe um comentário