Eu ontem vesti uma camisa
guardada e cheirando a sabão;
eu não sei de quanto tempo.
Ela estava guardada e para minha
surpresa, ainda estava nova,
ela crescia nos meus braços
e vestia minha lembrança.
Eu olhei para aquela roupa e
pensei o quanto eu fui e o quanto
eu sou – o que eu sou hoje, sou
enfim, a evidência do viver
de uma velha roupa nova
guardada e cheirando a sabão.