Não me venham, por favor
Querer-me ser do jeito
Que embrenham-me a cabeça,
Solitário amiúde, necessitado.
Eu sou silêncio, dor, dúvida
Ou tudo e nada, cadafalso
Introspecto vidente de não sei
Acompanhante do céu em prece.
Eu não quero escrever o ódio
Nem torcer o pano de lágrimas
Do poeta que não sente nada.
O mundo gira calado na imensidão
Sob o olhar tenaz e sábio
De uma lua que não se sabe.