Cai a noite silenciosa,
mordaz escolha sorturna do silêncio.
Ela vem em baldes de escuridão
e mistério;
e o que finda, na verdade, é vácuo,
uma inexistência rude e destemperada.
Sono.
Meus olhos estão em guerra com a TV
ligada em algum canal colorido
e mudo. Finjo interesse.
Desejo ler algo, conversar com alguém,
desejo transpor a vontade e varar
loucamente o coração da madrugada,
mas meus olhos, sim,
estão em guerra com TV.
Ao longe uma moto passa,
o barulho hipnótico do ar condicionado,
um bocejar intenso e generoso.
A noite é um infinito para aqueles
que querem um lugar só seu.
Meus olhos se rendem:
fim da guerra.