Do amor e dos vinhos suaves

Amar é um vinho suave,

não do tipo seco; sauvignon, não!

É suave mesmo, doce na língua

estala nos lábios, fomenta um auto-beijo,

algum desejo, silêncio noturno.

Amar é uma boa taça de vinho suave

em uma noite de chuva fina, aquela

que abraça o tempo e os postes de luz

parecem ser astros que testemunham

milhares de meteoritos caindo, mas

são gotas de chuvas cálidas, límpidas,

inocentes, quem sabe. E ficamos ali,

abestados com uma taça de vinho suave

na temperatura ambiente, pensando em

amar mais uma vez, em mais uma dose

com quem nos faz bem, naquele clima.

Amar é indispensável aos humanos.

É uma dose agridoce, transcendente,

translúcida – termômetro da alma, noção

de espaço invadindo outro espaço.

Vivemos e amamos – e isso basta!

O silêncio de uma noite de sereno –

e isso basta!

Amar é uma condição para ser vivo,

amar pede um poema escrito insone.

É uma taça de vinho suave, doce

que estala nos lábio, o beijo de outrem.

E mais uma dose – mais um poema,

uma taça meio cheia e os olhos

varando a noite no doce embriagar-se

de um vinho suave.

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