Everest

Tocar o céu é para poucos,

e para aqueles que não se importam

com os corpos que estão no

caminho.

É subir a vertigem, tocar a nuvem

reviver o parto e ter o ar brotando

de algum âmago na barriga.

O que é essa subida? Ela é a apenas uma

etapa rotineira para alguns

ou é a singularidade da descoberta,

a solicita visão de mundo que nos pede

para não abandoná-lo.

Corre, pequeno, domina o parque;

seja o rei da rua e cata as sementes

que os pássaros derrubam. O mundo

é agora, o silêncio antes da explosão,

o brilho fecundo da existência.

A subida, densa e pesada, mas

sempre necessária. Tocar o céu, enfim,

é para poucos.

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