Radamanto

Aquele que foi e voltou disse

numa carta silente e absurda,

sob as ruínas da cidade antiga:

“Eu desci ao fundo até os umbrais

de mármore e ouro reluzente

andando junto daqueles que a vida

em seu sopro vasto já se ausentara.

E desse passo, vi ao longe o trono

vazio e resplandecente de um dos

reis imortais desse lugar. Ele não

estava lá, apenas sua égide caída 

no chão escuro e profundo do coração

da terra. E todos ali arrebataram para

algum lugar além do rasgo no véu

do templo e, quanto a mim, olhei

para a égide caída e me ajoelhei diante

das ruínas do reino escuro da dúvida.

E, no eco lamurioso, ouvi a sua voz

pretendendo o seu julgar sobre o mundo…”

Era o grito de Radamanto que ao fim

do tempo dos heróis, abandona-se

nos sumidouros do Averno, e, no fim

apenas existe uma égide

de olhos vazios na imensidão

solitária do mundo abaixo do mundo.

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