Queria rasgar um poema na minha carne

Queria rasgar um poema

na minha carne

e assim, quem sabe, os outros viriam

por dentro de mim.

Eu que sangro, eu tenho medo

eu sofro, eu rio por fora,

e as avalanches detonam por dentro.

Eu sou mais um por aqui e

por ali e meu refúgio sou eu

mesmo.

A terapeuta fala de coisas

que ninguém nunca me entendeu,

mas que eu sempre soube.

Todas as pessoas do mundo

é muita gente para início de conversa.

Eu existo em seu meio e é

o que basta e nunca o suficiente.

Viro a chave e ligo o motor.

A estrada é o destino único

para qualquer solitário.

Minha carne agora é feita de

poesia.

Deixe um comentário